Padrões de biodiversidade e processos ecológicos em ecossistemas de Cerrado na região do Triângulo Mineiro e Sudeste de Goiás (sub-bacia do Rio Paranaíba)

por Brenda
Publicado: 02/07/2018 - 14:13
Última modificação: 22/05/2019 - 17:14

As savanas constituem um dos ecossistemas de mais ampla distribuição nos trópicos, ocupando originalmente 65% da África, 60% da Austrália e 45% da América do Sul (Huntley & Walker 1982). Em boa parte da América do Sul o bioma savana é conhecido como Cerrado, o qual ocupa uma extensão de 2 milhões de km2 e abriga diversas fisionomias vegetais que incluem desde campos abertos, savanas propriamente ditas, até florestas densas (Oliveira-Filho & Ratter 2002). Estima-se que no Cerrado haja 10 mil espécies de plantas - das quais aproximadamente 4.400 são endêmicas (Castro et al. 1999, Oliveira-Filho & Ratter 2002) - o que faz deste um dos biomas terrestres de maior endemismo e diversidade de espécies. É também um dos ecossistemas mais ameaçados das Américas já que mais de 50% do bioma foi convertido para uso agrícola e o restante está bastante fragmentado, com a maioria de seus remanescentes vegetais tendo apenas 100 ha ou menos. Por isto o Cerrado é considerado um hotspot (área prioritária) para a conservação da biodiversidade mundial. Entretanto, é impossível desenvolver estratégias de conservação para o Cerrado sem um entendimento de como a biodiversidade deste bioma é estruturada e como esta biodiversidade responde aos impactos antrópicos. Além da perda de hábitat e da fragmentação, são também importantes ameaças para a conservação do Cerrado as mudanças no regime de fogo, as mudanças climáticas globais e o aumento nas deposições atmosféricas de nitrogênio. As consequências ecológicas destes e dos impactos antrópicos acima citados sobre os ecossistemas, frequentemente, levam décadaspara se manifestar e requerem assim monitoramento e experimentos de longo-prazo para serem identificadas. Apesar da importância ecológica do bioma Cerrado, das inúmeras ameaças a que está sujeito e, consequentemente, da urgente necessidade de estudos ecológicos de longo prazo neste bioma, há apenas um sítio (site) PELD no Cerrado. Ademais, este site (site Cerrado Centro-Oeste, descrição em www.icb.ufmg.br/peld) localizado em Brasília, configura uma região relativamente bem preservada do Cerrado brasileiro e, assim, ao contrário da região do Triângulo Mineiro e do Sudeste de Goiás, não é um site ideal para se analisar certas questões associadas aos impactos antrópicos sobre os ecossistemas (como, por exemplo, a perda e fragmentação dos habitats). Assim, estamos aqui propondo estabelecer um novo site do PELD que será instalado na região do Triângulo Mineiro e do Sudeste de Goiás, na porção sul da bacia do Rio Paranaíba. Além de agregar novos conhecimentos sobre os ecossistemas do Cerrado, este site PELD será um dos poucos do programa a focar e documentar as conseqüências ecológicas dos impactos antrópicos sobre a biodiversidade do Cerrado e o funcionamento de seus ecossistemas. Antevemos que o nosso site PELD servirá como base para pesquisadores interessados em questões científicas que envolvam a descrição e o entendimento dos padrões de biodiversidade no Cerrado até questões que abordam os efeitos das mudanças globais, da fragmentação do hábitat e da intensificação da agricultura no entorno destes fragmentos. O Projeto originalmente aprovado em 2013 foi renovado por mais quatro anos em 2017.