Fatores responsáveis pela persistência de populações da mirmecófita Tococa guianensis na ausência de associações mutualísticas com formigas

por Brenda
Publicado: 29/06/2018 - 11:51
Última modificação: 16/10/2018 - 13:43

Estudos que avaliam a existência de variações inter-populacionais nas interações formiga-planta são raros, porém essenciais para entender a complexidade destas interações. Apesar da maioria das interações entre formigas e plantas serem facultativas e não especializadas, este não é o caso entre as mirmecófitas que são plantas que abrigam colônias de formigas em estruturas conhecidas como domácias. Em troca de abrigo, as formigas que habitam mirmecófitas fornecem benefícios às suas plantas hospedeiras, mais comumente, proteção contra o ataque de herbívoros. Populações de mirmecófitas sem a associação com formigas mutualistas obrigatórias tinham sido encontradas apenas em ambientes extremos ou isolados, mas recentemente foram descobertas populações de Tococa guianensis persistindo em algumas áreas do Cerrado a mais de quinze anos sem a presença destas formigas. Assim, neste estudo serão avaliados os fatores que possibilitam a ocorrência de populações de T. guianensis nestas áreas. Mais especificamente propomos responder as seguintes perguntas: (i) Existe diferença na pressão de herbivoria sobre T. guianensis entre locais com ou sem a presença de parceiros mutualistas obrigatórios?(ii) Existe diferença no investimento em defesas constitutivas entre plantas originadas de locais com e sem a presença de parceiros mutualistas obrigatórios? (iii) A indução na produção de tricomas efetivamente protege T. guianensis contra a ação de hebívoros em locais onde formigas mutualistas obrigatórias não estão presentes? (iv) Formigas oportunistas fornecem algum grau de proteção contra herbívoros à T. guianensis? (v) O que limita a ocorrência da formiga obrigatória Allomerus octoarticulatus em algumas áreas do Cerrado, a dispersão ou as condições climáticas da região?